quarta-feira, 30 de maio de 2018

É ou não é verdadeiro?

Muitos membros da Igreja, ao terem a oportunidade de ensinar sobre o convite do profeta Morôni, cometem um erro terrível.
Não sei, obviamente, como isso começou, mas começou. E se espalhou.
Possivelmente, algum membro desses que vivem procurando piolho em ovo nas entrelinhas das escrituras, ao ler Morôni 10:4, por inculto, interpretou mal o convite.
O profeta Morôni disse, referindo-se ao Livro de Mórmon: “eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se essas coisas não são verdadeiras”.
Daí essa primeira pessoa começou a “pensar”: porque ele nos convida a perguntar se não é verdadeiro, em vez de perguntar se é verdadeiro? E assim começou todo um ciclo vicioso.
A explicação, segundo os que repetem essa história, seria que como o Livro de Mórmon é verdadeiro Morôni, ao formular sua exortação, incluiu o “não”, porque assim a pergunta sequer poria em dúvida a veracidade do Livro.
Pura tolice e ingenuidade. E, lamentavelmente, isso também demonstra falta de atenção à leitura do Livro.
E falo isso com a infalibilidade de quem lê o Livro – e não começando apenas em Primeiro Néfi, mas desde a primeira folha. Explico.
Acontece que, na Introdução, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias faz um convite também. E nesse convite a Igreja diz, expressamente, para todos lerem, ponderarem, e “perguntarem a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se o Livro é verdadeiro” (grifos meus).
Ora, será que a própria Igreja poria em dúvida a veracidade do Livro de Mórmon? Porque, então, a Igreja utilizou essa fórmula?
A resposta se obtém quando nos perguntamos – faz mesmo diferença perguntar se é verdadeiro e perguntar se não é?
Claro que não!
Em ambas as formas, as respostas logicamente possíveis são sempre as mesmas duas – ou sim, é verdadeiro, ou não, não é verdadeiro. É ou não é?
Então, não há  lógica alguma em criar diferenças artificiais em uma ou outra maneira de formular o mesmo convite, de fazer a mesma pergunta.
A explicação fajuta, que acima expus, não passa de um sofisma, uma tentativa de explicar o inexplicável. É como procurar chifre em cobra. Puro afã de criar teorias misteriosas sobre as coisas claras e preciosas do Livro de Mórmon.
Não sei, sinceramente, de onde tiraram isso. A Igreja nunca deu tal interpretação a essa passagem de escritura - não consta nada disso nos manuais de ensino da Igreja, e nunca nenhum líder geral falou a esse respeito.
Pelo contrário! A Igreja sempre convida a todos a perguntar se é verdade. Veja-se, por exemplo, o que se diz na página Mormon.org, uma página oficial da Igreja, sobre "Como saber se mormonismo é verdadeiro" (https://www.mormon.org/por/perguntas-frequentes/fe-mormon): "Você pode saber se o que tem aprendido é verdadeiro" e "Ore sinceramente a seu Pai Celestial. Pergunte a Ele se o que  você está aprendendo é verdade".
Mais impressionante ainda é o que diz o manual Pregar Meu Evangelho, na primeira Lição (https://www.lds.org/manual/preach-my-gospel-a-guide-to-missionary-service/lesson-1-the-message-of-the-restoration-of-the-gospel-of-jesus-christ?lang=por): "Essa mensagem sobre a Restauração pode ser verdadeira ou não. Podemos saber que ela é verdadeira pelo Espírito Santo, conforme prometido em Morôni 10:3-5. Depois de ler a mensagem do Livro de Mórmon e ponderar sobre ela, toda pessoa que deseja conhecer a verdade precisa perguntar em oração a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, se ele é verdadeiro".
A Lição do livro Pregar Meu Evangelho confirma exatamente o que afirmamos - não há porque temer questionar a veracidade do Livro de Mórmon. Ele é verdadeiro, mas nem todos o sabem. Então, precisam saber. O convite é perguntar a Deus, pouco importando se o convite diz "perguntar se é verdade" ou "perguntar se não é verdade", até porque a resposta será a mesma.

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